O boicote ao protagonismo do Ceará no cenário junino é real

O sucesso do Ceará no cenário junino não aconteceu por acaso.
Foi construído ao longo de décadas, com suor, talento e criatividade de quadrilheiros que transformaram o São João em arte, espetáculo e emoção.

Mas o reconhecimento nacional tem um preço.
E parece que, para alguns, ver o Ceará brilhar incomoda.

Nos bastidores, há quem prefira enfraquecer o estado, reduzir sua presença nos grandes festivais e impedir que as quadrilhas cearenses ocupem o espaço que conquistaram com mérito. É um movimento silencioso, mas perceptível e está infiltrado desde as entidades até os integrantes das quadrilhas.

Eu já li e ouvi, digitalmente e presencialmente, administradores, diretores de entidade, presidentes e brincantes falando barbaridades sobre o que nossos grupos apresentaram em festivais externos. Eles não sabem o que dizem.
“Que teatro chato!”, “Não entendi nada”, “Não sei pra quê essa banda”, “Figurino com muita informação”… Sem sequer terem assistido o espetáculo completo, porque o grupo teve que cortar sua carne para se moldar ao formato dos tais festivais externos.

Enquanto isso, grupos do Ceará seguem lutando para manter viva a essência junina que os diferencia — mesmo diante de decisões injustas, critérios duvidosos e “tendências” que tentam padronizar o que, por natureza, é diverso.
O pior de tudo é ver que alguns gestores já se entregaram as tendências externas e preferiram seguir as definições ditas lá fora para tentar conseguir resultados positivos, mas não percebem que estão a cada dia jogando pás de areia sobre o legítimo São João cearense.

O protagonismo do Ceará não é arrogância. É legado.
É o reflexo de um povo que dança, canta e resiste, mesmo quando tentam apagar sua luz.
Até quando continuaremos perdendo nossa identidade por conta da busca de títulos? Será que realmente vale a pena?

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